Wednesday, September 19, 2007

FRECHAS

Pois é, esta aldeia não pára...lol
Vejam só...organização do HOMEM DE FERRO 2007 !!! Não é para qualquer uma...lol!
Vou tentar arranjar fotos embaraçosas para colocar aqui...
Até lá, confirmem no site:

Chuva...


Um concerto inesquecível de Mariza no pavilhão Rosa Mota... OBG!!!
Vale mesmo a pena assistir à actuação desta interprete da língua portuguesa, pela simplicidade, pela autenticidade e não menos importante pela forma única de cantar!
Acho que o pessoal gostou, a Preta passou todo o concerto com o coração nas mãos, deviam ver a cara dela... (espero que não te incomodes com o comentário, lol).
Vamos ficar á espera do próximo... :)

Mais um ano...



O início de um novo ano lectivo traz sempre um remoinho de novas sensações, esperanças, receios, memórias, segredos e desejos!

Um fantástico ano para todos :)

São para ti...

Tuesday, July 10, 2007





Fui ao teatro, ver uma pequena peça chamada "O Espantalho teso".


"Galandum! Galandeia! Senhora das ânsias, traça o feitiço, desata a malha, dá vida à palha , por baixo da saia."


Poucas vezes vou ao teatro, para não dizer raramente, mas gostei muito desta peça. Simples, divertida, muito caseira e popular! E a vaguear pelo google encontrei este poema que se enquadra com o espiríto desta arte, tantas vezes esquecida!







O Teatro lá por dentro


É uma coisa de monta


Mundo, inferno, centro


De actividades sem conta!



Para ter saúde o organismo


Por que anseia? Vê-se logo


Por subsídios! Altruísmo?


Qual! Exige é desafogo!



O subsídio é deprimente


Torna as almas pequeninas:


É sustentar um doente


A injecções de vitaminas!



Dêem-lhe ar e claridade!


É soltar-lhe os movimentos


Que tem logo outra expansão


Que nascem logo talentos


Da mais fresca inspiração!



No mais, o público acorre


Há espírito audaz, moderno


E o Teatro não morre


Porque o Teatro é eterno!



Há-de vencer a anemia


E com as bênçãos do céu


Ainda espero qualquer dia


Vê-lo tão gordo como eu!






Publicado nO Seculo, 1947, Vasco Santana




Thursday, June 21, 2007


"Os seres humanos são iguais. Mas os individuos não o são. É o mito da igualdade, o amor pelo símbolo, o desdem pelo concreto que, em larga medida é culpado pelo enfraquecimento do indivíduo."
Alexis Carrel

PHOTOESPAÑA2007

Central Park por Bruce Davidson


Premios HSBC de Fotografía

Tuesday, May 15, 2007

Autografia


(Mário Cesariny por Adriano Miranda)

sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
( antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa )
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião - não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!