Thursday, October 4, 2007

Nuvens

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...

Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive).
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...

Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?

Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...
Álvaro de Campos

Wednesday, September 19, 2007

FRECHAS

Pois é, esta aldeia não pára...lol
Vejam só...organização do HOMEM DE FERRO 2007 !!! Não é para qualquer uma...lol!
Vou tentar arranjar fotos embaraçosas para colocar aqui...
Até lá, confirmem no site:

Chuva...


Um concerto inesquecível de Mariza no pavilhão Rosa Mota... OBG!!!
Vale mesmo a pena assistir à actuação desta interprete da língua portuguesa, pela simplicidade, pela autenticidade e não menos importante pela forma única de cantar!
Acho que o pessoal gostou, a Preta passou todo o concerto com o coração nas mãos, deviam ver a cara dela... (espero que não te incomodes com o comentário, lol).
Vamos ficar á espera do próximo... :)

Mais um ano...



O início de um novo ano lectivo traz sempre um remoinho de novas sensações, esperanças, receios, memórias, segredos e desejos!

Um fantástico ano para todos :)

São para ti...

Tuesday, July 10, 2007





Fui ao teatro, ver uma pequena peça chamada "O Espantalho teso".


"Galandum! Galandeia! Senhora das ânsias, traça o feitiço, desata a malha, dá vida à palha , por baixo da saia."


Poucas vezes vou ao teatro, para não dizer raramente, mas gostei muito desta peça. Simples, divertida, muito caseira e popular! E a vaguear pelo google encontrei este poema que se enquadra com o espiríto desta arte, tantas vezes esquecida!







O Teatro lá por dentro


É uma coisa de monta


Mundo, inferno, centro


De actividades sem conta!



Para ter saúde o organismo


Por que anseia? Vê-se logo


Por subsídios! Altruísmo?


Qual! Exige é desafogo!



O subsídio é deprimente


Torna as almas pequeninas:


É sustentar um doente


A injecções de vitaminas!



Dêem-lhe ar e claridade!


É soltar-lhe os movimentos


Que tem logo outra expansão


Que nascem logo talentos


Da mais fresca inspiração!



No mais, o público acorre


Há espírito audaz, moderno


E o Teatro não morre


Porque o Teatro é eterno!



Há-de vencer a anemia


E com as bênçãos do céu


Ainda espero qualquer dia


Vê-lo tão gordo como eu!






Publicado nO Seculo, 1947, Vasco Santana




Thursday, June 21, 2007


"Os seres humanos são iguais. Mas os individuos não o são. É o mito da igualdade, o amor pelo símbolo, o desdem pelo concreto que, em larga medida é culpado pelo enfraquecimento do indivíduo."
Alexis Carrel

PHOTOESPAÑA2007

Central Park por Bruce Davidson


Premios HSBC de Fotografía